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terça-feira, 14 de outubro de 2008

desabafo

Faz um tempão que não grito, que na verdade não tenho forças pra gritar.
Sinto uma tristeza imensa, uma angústia assustadora, algo que não tem nem tamanho...
Pode até ser que a TPM esteja aumentando essa angústia, transformando-a em uma coisa bem maior do que ela deveria ser.
Porque qualquer coisa é motivo de choro, de descabelamento, de dor de cabeça e vontade de fugir pra um lugar longe, longe, longe...
Eu quero ir pra longe disso tudo.
Quero me isolar e voltar apenas quando tiver forças pra ser feliz outra vez!

Carmelita Oliveira

terça-feira, 12 de agosto de 2008

replico o grito: pReCisAmOs De IdEaIs

Se a gente for parar pra ver as coisas como elas realmente são vamos encontrar um mundo de cabeça pra baixo. Lendo o texto do meu amigo Audrofonso, do dia 21 de julho, Precisamos de Ideais, também pensei sobre a questão.

Tenho alguns amigos, com alguns compartilho idéias, com outros vou além compartilho ideais também. E quando li o texto de Audrofonso percebi que pensando dessa maneira, estava enfraquecendo meus ideais, aquilo no qual acredito. A partir do momento que separo amigos por idéias e ideais, já deixei de ter ideais. Porque desde quando decidi separar com quem discutir certos assuntos ou questões já deixei de dar a real importância aquele ideal.

Mas fiz isso, talvez até pra não perder alguns amigos que tão pouco se lixando pra certas discussões. Mas também admito que de certa forma isso me angustia. Até porque não são ideaaaaaaais assim revolucionáaaaaaaaarios, são questões que dizem respeito a toda sociedade, que fica ali parada diante daquilo como se não fosse também responsabilidade sua o que acontece a sua volta.

Audrofonso, as pessoas não só esqueceram, perderam ou não procuraram ter ideais, elas simplesmente esqueceram do outro e por isso se sentem tão só...

Precisamos de ideais. Concordo. Precisamos também lembrar que vivemos em sociedade e por isso somos responsáveis pelo outro. Daí em diante os ideais surgirão, serão muitos, muitos, pelo bem de todos/as.

Carmelita Oliveira

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

eu grito: AMO

Se tratando de um relacionamento amoroso me perguntei uma vez qual a definição de querer bem, de paixão e de amor. Na verdade me perguntaram e eu respondi com a mesma pergunta. Afinal, existe diferença entre paixão e amor? Bem, a resposta é sempre a mesma, apesar dos significados se confundirem. Dizem por aí que paixão é aquela coisa avassaladora, que toma conta de você em pouquíssimo tempo, uma coisa assim arrebatadora. Ufa!!!! Só de pensar nos significados já fui ficando sem fôlego.

Já o amor é um sentimento mais forte, mas que vai sendo construindo aos pouquinhos, de grão em grão, é aquela coisa assim, que se resume sempre em: companheirismo, amizade, confiança, liberdade ..... Essas coisas legais e tal. Hahahahahahahah. E o querer bem? Cara, o querer bem é complicado. Digo isso por experiência própria, porque o fato de você querer bem a alguém não significa que você não a ame ou não esteja apaixonado/a por ela, não é mesmo? Mas se você virar para o/a outro/a e disser apenas que lhe quer bem, aí danosse. O mundo desabou!!! Ah, porque você não me ama, você não está apaixonado por mim. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!

Eita sentimentos complicados esses, não? Em meio a tantas perguntas e questionamentos, descobri juntamente com outro ser lindo, que a gente vive simplesmente. Vive!!! E o fato da gente estar vivo significa viver intensamente todos os momentos e aí, e aí? Aí é que se estar bem significa dizer que ama alguém em trinta segundos, um dia, duas semanas, um mês ou cinco anos, então diga. Diga por que é o que você sente. É isso. Sem amarras ao tempo. Mas antes, por favor, tenta explicar isso a ele/a. Porque a gente tem que se sentir bem sempre, mas nunca deve machucar ninguém. Se a outra pessoa não conseguir fazer essa mesma reflexão que você, já era!

Você vai acabar só! Mas também se isso tiver te fazendo bem...


OBS: Complicado né? Mas esse é o meu sentimento de agora. Depois? Nem sei!
Carmelita Oliveira

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A história da minha vida e da vida dos outros que eu contei

por Carmelita Oliveira

Ia pedir pra não trabalhar neste dia, mas percebi que precisavam de mim. Então, a manhã foi como tinha de ser, meio angustiante. Não conseguia me concentrar no que tinha pra fazer.

A tarde, encontro com as outras duas integrantes desta grande empreitada. E cada vez que a hora do relógio se aproximava das 18h o frio na barriga ia aumentando. Que angústia, que coisa estranha. O que eu vou falar? O que eu vou dizer? Foram mais de dois anos pensando nesse projeto. Foram uns seis meses trabalhando nele. Foi uma vida de 21 anos vivendo essa história de perto. Vivendo, simplesmente vivendo. E aquele era o dia em que eu teria a oportunidade de dizer tudo o que tinha pra dizer, de colocar pra fora tudo que foi acumulado nessa longa caminhada de conhecimento sobre o assunto. E sinceramente não sabia o que dizer.

Eu, pessoa pequena, pessoa escondida, pessoa? É, pessoa. Que esquisito né? Eu desse tamanho sou uma pessoa e importante naquele momento, importante pra aquelas pessoas que ali assistiram, importante pra aquelas pessoas que nos julgaram, importante pra aquela história que inventamos de contar, importante pra mim, pra minha vida. Pra minha história.

Eu e mais duas companheiras inventamos de contar uma história, que também é minha, que também é a minha vida.

E sabia que ficou bom? Sabia?

Ficou, mas sabe por quê?

Porque era uma bela história.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Vivo sim!

Eu vivo
vivo bem!
Carmelita Oliveira

domingo, 7 de outubro de 2007

O bar de Seu Jorge: O dia em que o Leão devorou Timão

Já faz tempo.
Hoje já tem outro jogo.
Mas é assim que acontece lá em Seu Jorge.




Sport versus Corinthians. Leão versus Timão. Jogo na casa dos paulistas e rubro-negros com os corações apertados. Decisão no mesmo dia de jogo dos inimigos alvirrubros. O meu cenário do jogo é um bar localizado na Avenida Bicentenário da Revolução Francesa, na comunidade de Roda de Fogo, na esquecida Zona Oeste do Recife. Ki Sabor bar e lanchonete, mais conhecido por bar do Seu Jorge, tem média extensão, com onze mesas e um cardápio gorduroso. Em dias de jogo, gritos e fumaça de cigarro fazem parte do ambiente. Nos dias comuns a fumaça continua, mas a atração em geral são DVDs de bandas de forró ou brega com vocalistas “bonitões” de óculos escuros e dançarinas de roupas minúsculas, que se remexem ao som da música. Nas últimas semanas, o bar traz um novo visual com paredes bem pintadas de amarelo ovo, que cobriu o verde mofado que estava anteriormente.

É mais conhecido por bar de Seu Jorge, por causa de Jorge, o dono do bar, um homem por volta dos 40 anos, que esconde a careca embaixo de um boné e que tem três filhas mulheres e um recém-nascido homem. “Agora sim ele pára de ter filho. Até que enfim nasceu um menino”, comentou certa vez um freqüentador assíduo em dia de jogo leonino. Seu Jorge é um homem sério, por muita vezes grosso com os empregados e torcedor do Santa Cruz. Na verdade ele é azarão do Sport, pois adora fazer apostas contra o Leão, mas sabe que esse é o único time que lota o bar em dia de jogo. Nisso a cobrinha dele não está com nada.

É no meio da fumaça dos cigarros e dos gritos de “cazá, cazá” e de vários “uh!” pelos jogadas perdidas, que sai o primeiro gol do Sport aos 30 minutos do primeiro tempo. Só se escuta “Gol porra!” e a partir daí mais “cazá cazá”. A gritaria aumenta e tenho impressão que a fumaça também, alguns pedem “mais uma cerveja”, que em horário de jogo deixa de ser R$ 1,90 para custar R$ 2,20. A partir daí, a torcida é para que o Timão não pressione e faça um gol e pra que o Sport não perca o ritmo de jogo e se contente com o resultado.

O segundo tempo começa e pouco tempo depois vem o segundo gol, neste momento o bar já está lotado, uma senhora com aproximadamente uns 38 anos, e que tem a perna no colo do marido dá um grito, mas nem é percebida, pois todas as outras pessoas do bar já estão em pé comemorando o resultado e eu acho que sou a única pessoa sentada, que só fez levantar os braços para comemorar a bela jogada e o gol. As mais felizes são as crianças, que estão ali fielmente a todos os jogos do Leão, procurando cadeira vazia e se escondendo de Seu Jorge para não serem expulsas do bar. Meninos, em geral miúdos, mas com os olhos brilhantes para a tela da TV. Isso porque no último jogo, o Leão perdeu para o time do Acosta, que neste momento faz 4 a 0 em cima do Atlético Paranaense, nos Aflitos. Seu Jorge passa por mim, pergunta o resultado do Náutico e eu respondo. Ele sai resmungando e eu tomo mais um pouco de Coca-Cola com limão para acalmar a euforia.

Mas nesse momento todo o bar já pula de alegria comemorando a vitória e uma criança no colo do pai grita o “cazá, cazá” do Sport e termina com “Flamengooo”, na confusão de camisas dos dois times. Toda essa precipitação da torcida sempre me deixa muito preocupada, pois em geral é nessa hora, final do jogo, que o Sport leva gol. Dito e feito ou melhor pensado e feito. O Corinthians faz um gol e escuto um “Meu Deus do Céu!”, ninguém parece acreditar no que está vendo. Mas é isso, mais uma vez o Leão leva uma bolada no final do jogo. O Juiz acaba o jogo e não espera o Sport terminar uma jogada que poderia levar a mais um gol. Eu fico feliz com o resultado, afinal o jogo era no Pacaembu e o Leão segurou a parada. Mas nem tanto pelo Náutico, que goleou por 5 a 0. Aos poucos, os torcedores vão indo embora, Seu Jorge coloca o DVD de brega, a fumaceira continua, as crianças deixam o ambiente feliz da vida e eu volto pra casa, que é na mesma rua e pensando: “Vou fazer uma crônica pra Sama. Será que ele vai gostar? Acho que vale a pena tentar”.




Carmelita Olliveira