quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Quem me perdoem as pessoas com mais idade, mas ser adulto é muito chato.
Maviosa Grulha

domingo, 28 de outubro de 2007

Toca Raul!!!!!!!!

Vivemos em um mundo cada vez mais corrido, exige-se pressa e precisão, exige-se muito e ao mesmo tempo, tem que ser e temque ser pra agora. As pessoas têm se acostumado a viver cada vez mais em meio a todo esse agito, barulho e demanda.

Um dosgrandes problemas dessa "roda da vida pós-moderna" é que muita gente acaba ligando o piloto automático pra poder aguentar o tranco, e ai meu amigo, gente vira máquina.

Depois de muito pensar e repensar acabei descobrindo que eu estava abandonando os rumos da minha existência às rédeas do acaso e da pressão. Resultado: decidí desliguar o piloto automático. Me dei uma folga!!! Contrariando a lógica que ensina "parar é andar pra trás" dei uma bela "fugere urben" em plena quinta feira: fui para praia olhar o mar e escutar Raul!!!!

Afinal só uma pessoa que canta "porque quem pensa, pensa melhor parado" pode servir de trilha sonora para momentos contemplativos. E o que eu contemplava? Eu contemplava (pela primeira vez em muito tempo) a mim mesma, parei pra prestar atenção em mim. Resultado: as coisas ficaram mais claras, as dúvidas passaram e os problemas readquiriam suas devidas proporções.

Por isso, eu recomendo... meu amigo, puxe o freio de mão e se permita parar. Se permita pensar!
Dédala Zen



sexta-feira, 26 de outubro de 2007

A Confraria foi tomada de assalto

Dia 26 de setembro de 2007. A ditadura acaba de chegar a Confraria do Grito. A partir desta data, este blog será regido com mãos de ferro. Isso mesmo! Eu, Audrofonso Araújo III, acabo de tomar posse do cargo de manda-chuva desta bodega. E com o poder instituído a mim, pela minha própria pessoa, posto neste momento, o meu primeiro decreto.

Decreto de N° 1; Recife, 26/10/2007

Eu, Audrofonso Araújo III, venho por meio deste, declarar livre, toda e qualquer forma de expressão na Confraria do Grito. A partir da postagem desse documento, todo e qualquer confrariano tem o direito de fazer o que bem quiser com os seus gritos.

Caros confrarianos, com esse decreto, chega ao fim, os tempos do medo. A partir de hoje, vocês são livres para determinar suas próprias postagens. Se for vosso desejo gritar, então gritem. Gritem de dor, de amor, de medo. Mas se vossa vontade não é gritar, então meus amigos, não gritem. Apenas sussurrem! Sussurrem nos ouvidos dos seus amigos, dos seus amores. Sussurrem suas dores, seus medos, seus receios. Pois o sussurro nada mais é que um grito contido, um grito tímido, um desabafo carinhoso ou pesaroso. Um sussurro é um tipo de grito dado, apenas, para os mais chegados, e vocês caros amigos, fazem parte desse grupo.

Esqueçam as regras! Queimem vossos livros de texto e gramática. Pois é chegada a aurora de um novo tempo. Um tempo em que nós passaremos a dominar. Não tenham mais pudores. Esqueçam suas famílias, seus amigos. Esqueçam o mundo. Isso mesmo meu amigo, esqueça o mundo, pois para o seu governo, caro companheiro, o mundo está cagando e andando para o que escrevemos nesta bodega.
Sem mais para o momento,

Audrofonso Araújo III

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Correspondente no Confraria

Quem disse que ter correspondente é privilégio de grandes veículos com grande público e um belo patrocínio. Necas de pitibiribas!! Em uma nova empreitada para que o som de nosso gritos chegue à todo o Brasil, o Confraria do Grito reuniu todos os recursos de que dispunha (incluindo as economias guardadas no jurubeba, o porquinho que a Dédala guardava desde que era a dedinha linda da mamãe) e mandou correspondente para o Rio Grande do Sul. É isso mesmo! A partir de hoje, o meu querido amigo Jean Pierre Lêcaguê estará nos enviando crônicas quentinha daquela linda terra, onde os homens só pensam em churrasco e espeto (sem querer ofender ninguém). Mas agora, sem mais delongas, posto a crônica de estréia do nosso amigo Jean Pierre Lêcaguê.

PS: A Confraria do Grito espera a sua colaboração (grana meu filho) para que em pouco tempo, este cidadão que vos fala, esteja aportando na Inglaterra. Quem quiser contribuir, favor entrar em contato pelo e-mail: confrariadogrito@gmail.com .

Audrofonso Araújo III


Andanças em Porto Alegre
Quando cheguei na capital gaúcha, a primeira coisa que notei é o povo tem uma certa mistura de educação com indiferença. Eles até respondem uma pergunta ou duas, mas também é só, logo viram a cara e seguem suas vidas. Nos primeiros meses achei tudo diferente, roupas (é incrível como as mulheres aqui adoram usar leggin) as casas, os programas de tv, o jeito rápido do gaúcho falar e principalmente as gírias. Nunca tinha ouvido tantos "bah", "tri", "tchê" e "guri" ao mesmo tempo, nada disso tinha a ver com o meu sotaque, que pra mim não tem nada de cantado, se comparado com o gauchês. Nas conversas era eu rindo do jeito deles falar e eles rindo do meu.

Pensando bem, acho que aí já começou a primeira troca de experiências que um intercambio (mesmo que a nível nacional) pode trazer. Muita gente aqui começou a falar "eita" por minha causa. Eu, comecei a simpatizar um pouco com o "tri". Já pensou quando você acorda atrasado pra faculdade, no caminho pisa no coco do cachorro e quando chega lá descobre que tinha esquecido da prova que era pra hoje... é meu amigo, você não está fodido, você está tri fodido.

E como cada região tem seus costumes, com o Rio Grande do Sul não poderia ser diferente. Aqui todos amam e veneram o "churrasco gaúcho", que a em todo Brasil já se faz direitinho, ou até melhor que muitas churrascarias daqui. Certo dia provei pela primeira vez o quentão, uma bebida diferente de tudo que já tomei. Pegue a cachaça, vinho, cravo, canela e junte tudo isso numa panela. Está feito a bendita. Achei estranho porque era quente, sei lá, nunca tinha visto ninguém botar pitu pra ferver. É bem docinha, desce macio e reanima. O problema é que quando percebi o que já tinha bebido, era tarde demais. Um no mínimo "alegre" (para não dizer bêbado) surgia em Porto Alegre.

Algumas das experiências peculiares que vivi aqui também são relacionadas a comida. Uma foi quando me disseram que eu tinha que comer o Chico balanceado de qualquer jeito. Para os menos puros de coração isso tem um certo duplo sentido e como não sou nenhum santo comecei a pensar em besteira. A outra situação desse tipo foi quando me disseram que eu iria conhecer a Bergamota. Na mesma hora pensei que era uma mulher já que tem tanta gente com nomes esquisitos pelo mundo afora. Richarlyson, Aldrofonso, Adroaldo, perto desses exemplos Bergamota não me causava mais surpresa. Quando vi, era só um outro nome pra laranja cravo.

Mas isso não é nada perto de uma visão que tive no centro da cidade. Passeando tranqüilamente pela rua, entre camelôs e outros seres típicos do centro de qualquer capital nacional, vejo do outro lado da rua uma figura contrastando com o restante do cenário. Um cara de bota, uma calça estranha, camisa azul de botão, um lenço vermelho no pescoço, um bigodão e um chapéu estilo do vovô. Olhei, olhei e fui pra casa, depois perguntei o que era "aquilo" e me disseram que ele era um Galdério, símbolo da tradição gaúcha. Agora, imagina se essa moda pega no Recife também. A gente andando bem tranqüilo pela Conde da boa Vista e de repente passa um caboclo de lança com uma sacola da Renner na mão, passeando pelo centro!

No começo é tudo muito lindo, tudo muito belo, mas depois o que é novidade passa a cair na mesmisse, as coisas começam a entediar e a saudade de casa aumentar. Agora o pensamento é um só: voltar pra casa. Quero comer tapioca, o feijão de mainha, quero recuperar meu sotaque, rever os amigos, praia, tomar água de côco diretamente no côco, ir pra Sé, Recife Antigo, faculdade e o mais impressionante, até do brega sinto falta. Nesse meu tempo no estado, conheci muitas coisas, vi muitas pessoas, lugares, tive a certeza de um amor e amadureci em vários aspectos. Histórias para contar é o que não faltam quando voltar para minha terra. Não vejo a hora de chegar em casa e poder dizer... VOLTEI RECIFE! (e Olinda também)

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Por que não?

Por que as relações afetivas estão se deteriorando? Porque vivemos em uma época onde é mais importante cuidar apenas dos nossos próprios interesses. Só importa o individual. As pessoas são descartáveis, as relações são descartáveis, nós mesmos somos descartáveis, usados aqui e acolá e depois jogados fora ou postos de lado. E, assim, vamos reproduzindo, sem nem refletir, um sistema fadado a nossa própria extinção.

O que será de nós sem o próximo? Sem termos em quem nos apoiar ou com quem regozijar a vida? É no outro que vemos nossos defeitos e qualidades. É com o outro, família, amigos, companheiros, que construímos algo que valha nossas vidas. Laços bem atados que levamos além túmulo. Não é porque alguns desses laços se rompem ou são desatados que podemos ousar ter a covardia de nos isolarmos do todo.

Quão covardes seríamos nós. Como disse Fernando Pessoa “Arre! Estou farto de semideuses. Onde há gente no mundo?”. Pessoas que se arrisquem a sofrer, amar, chorar e rir das próprias asneiras. Pessoas dispostas a se machucar e a ter sempre um ombro para as dificuldades. E um abraço para as comemorações.

Quão burros seríamos nós. A vida passando e nós assistindo.
Maviosa Grulha