segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Pesadelo

Ontem eu tive um sonho estranho. Quer dizer... Não foi um sonho. Foi mais um pesadelo. Só podia ser um pesadelo, pois tive a ligeira impressão de ouvir pessoas gritando e crianças berrando.

Lembro que foi algo assustador. Em um momento, pude ver mães e filhos se afogando, crianças berrando ao ver sua casa arrastada pelas águas da chuva interminável. Tive a impressão de ver um senhor sentado em uma pedra, chorando a perda de sua casa, onde estava seus 70 anos de vida.

Quando eu já estava me sentindo sufocado, a visão do alagamento foi embora. Terminei sendo arrastado por um mundo em guerra. Centenas de corpos eram retirados de escombros. Pessoas gritavam por seus filhos perdidos. Bombas e explosões tomavam conta de tudo. Uma cidade em chamas... Um mundo destruído... Um mundo aos pedaços.

Cheguei a pensar que aquilo nunca ia acabar, que o pesadelo jamais teria fim.

Pensei que ficaria preso naquele mundo para sempre.

Mas fui salvo pelos comerciais...

O Jornal Nacional foi para o intervalo e as lembranças das desgraças humanas foram varridas pela família feliz da propaganda de um Shopping qualquer.

Audrofonso Araújo III

4 comentários:

disse...

Nem tanto ao jornalismo nem tanto à publicidade. Nem a o mundo em preto e branco, nem o mundo em cor-de-rosa.

Bjo

Gracyelly disse...

Sensação ruim ver a tragédia de Santa Catarina. E depois virá outra que nos fará esquecer dessa, como sempre acontece.

Kenia Mello disse...

Tem horas que é melhor evitar tanta desgraça. Os pesadelos se tornam reais demais.
Beijão.

Anônimo disse...

Deve ser por isso que eu só quero saber de coisa melhor, bem melhor.
=)

Perfídia, embriagada e abandonada sábado à noite.